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telhado de vidro



14o. DIA

O que fazer com o que já passou?                          

"Assim fala o Senhor: "Não relembreis coisas passadas, nem olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis? Pois abrirei uma estrada no deserto e farei correr rios na terra seca. Este povo, eu o criei para mim e ele cantará meus louvores. Mas tu, Jacó, não me invocaste, e tu, Israel, de mim te fatigaste. Com teus pecados, trataste-me como servo, cansando-me com tuas maldades. Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados".

Esse pequeno trecho da profecia de Isaías nos faz aprender, com o próprio Deus, a lidar com o passado e com nossos erros. O Senhor nos dá uma conselho: "Não relembreis coisas passadas nem fatos antigos". Lembranças dolorosas são capazes de aprisionar o coração na angústia e na depressão. Alguns dos males causados pelo ressentimento são: insegurança e medo de novas decepções; sentimentos de culpa e remorso; chantagem emocional e cobranças. O ressentimento com as falhas daqueles que nos cercam torna-se uma arma de ataque em momentos de tensão: quem nunca relembrou a uma pessoa, na hora da discussão, as falhas que ela, um dia, cometeu? Esse comportamento só faz aumentar a distância entre os corações que precisam aprender a maravilhosa lição do perdão.

Por outro lado, quantos são aqueles que se privam de novas chances e oportunidades de felicidade por não aceitarem os seus próprios erros do passado... "Sabotam" a si mesmos por não suportarem a idéia de, um dia, ter falhado. Você conhece alguém que viva alguma das situações acima? Como deve ser o coração de uma pessoa que se entrega ao ressentimento contra os outros e contra si mesma?

O Senhor Deus, ao contrário, deseja que olhemos para a frente, cheios de esperança no futuro: "Farei coisas novas, acaso não as reconheceis?" As novidades de Deus já estão aí, você não vê? Reconheça as portas que Deus tem aberto em sua vida. Você tem sido capaz de aproveitar as oportunidades que o Senhor lhe dá ou está ocupado demais em lamentar o que um dia não deu certo? Olhe para sua vida com otimismo e confiança; o próprio Deus lhe diz: "Cancelo tuas culpas e não me lembro de teus pecados. Eles não fazem parte dos planos eternos de amor que tenho para ti".

Lindas palavras do Pe. Antôno José em Basta uma palavra (projeto Rio de Deus, distribuição gratuita). Ao ler este livro (este é apenas o 14☺ DIA), o que faço muitas vezes, lembro da bondade que foi minha um dia, faz muito tempo. Do desespero e da revolta que vieram em seguida. E da incredulidade em tudo e em todos. O Mal, o Bem, Deus, estão entre nós. Em qquer lugar. A religião é um símbolo, um caminho, não importa qual.

Nem Deus e nem a religião sozinhos resolvem nada. Em nome de Deus e da Igreja muita crueldade foi praticada. E muito abuso continua a existir. O que o ser humano, todos nós, não podemos esquecer é a lição da natureza. Quietos em suas moradas, marimbondos e abelhas dificilmente atacam alguém. Mas que se espera que eles façam quando são incomodados no seu habitat? Partem pra cima. Puro instinto.

A religião, todas elas, foram construídas para domar nossos instintos, que são humanos sim.

Lembro da abelha na minha cozinha. Ela entrou de repente, pela janela em cima da pia. Me afastei com medo porque sou alérgica a tantas coisas e tive medo de uma ferroada. Fiz tudo para que ela fosse embora. O vão da janela era enorme, mas ela se agarrou ao vidro, subia e caía, cansada, esgotada, sem enxergar a saída. Após tentativas e tentativas de fazê-la enxergar o espaço aberto, enrolei um pedaço de papel toalha, macio, no cabo de uma vassoura, prendi com fita crepe, e o coloquei embaixo dela, que, ao escorregar pelo vidro, agarrou-se ao papel. Papel que eu soltei pelo vão da janela. E a libertei.

Sou pela vida, pelo meio ambiente. Figuradamente, fui atingida de morte. Mas nunca fiz mal fisicamente a nada e a ninguém. Talvez só a mim mesma, ao que é meu. Minha arma, meu instinto de defesa está nas palavras. Que, paradoxalmente, tanto me encantam nos textos alheios. Gosto delas, das palavras. E com elas agrido quando me sinto agredida. Da palavra ao gesto a distância é infinita, não mensurável.

Existe um espeço aberto pra mim, pra todos, em algum lugar.  Meu desejo é de liberdade para minha alma, de não guardar más lembranças de nada e de ninguém. Mas ainda tenho medo e me agarro no vidro. Eu rezo. Peço. Qualquer hora eu chego lá.

Acho que estou a caminho.

Espero.                                         



Escrito por Ofelia às 17h05
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Transformações

A vida muda. Vc mudou, hoje não é amanhã. Sua porta já foi azul, já foi vermelha... Vc já teve varanda, deixou de ter...

                                                                          



Escrito por Ofelia às 22h57
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Traduzindo o hermetismo:

Mentiras no divã eu comprei pelo título. E vc, 'doutor psi', sabe que me refiro a vc e não a mim. Também dirijo a vc o filme Morangos Silvestres, do Bergman, sonho do doutor Borg. Viu o tamanho do livro? Viu quantos espectadores? Viu qual é o primeiro mandamento de um 'médico'? Pedir perdão. Vc me falou em perdão tantas vezes. Vc falou. Incrível. Para eu perdoar alguém? Eu devia ter desconfiado. Mas é o que te falei sobre a burra credulidade. Um ouvido me avisa, o outro prefere a irrealidade, prefere não acreditar porque a mentira é mais doce.

Pecados da Fé também é pra vc, 'psi'. O homem bom, capaz de tanta generosidade. Do que o homem da igreja era capaz? Do que foi capaz o homem que queria ser como Cristo tal como vc? Pobre mulher que se achava pecadora. Tenho horror de pessoas de muita fé, que a professam como seres inigualáveis. Eu tenho, sim, fé. Não está em mim não ter fé. Mas não a do tipo do representante de Deus em Pecados da Fé. Sempre desconfio. O que nada tem a ver com Deus.

Na verdade, vc(s) fez (fizeram) o(s) seu(s) joguinho(s). E eu caí, encantada com palavras em uma caixa de solidão.

Foi divertido? Parabéns. Não é muito difícil me enganar. Eu até tentei me aprumar. Mas não deu. Pedir perdão é o mesmo que se desculpar, não é? Não tem desculpa, acho que seria a minha resposta para o militar, se eu, na época, tivesse a coragem de responder. E não tenho do que me desculpar, fique claro.

Nossos tempos não são de paz ainda, falo pra vc que não é juiz, não é detetive e me pediu para não julgá-lo. Falo pra vc, irmão da irmã de Caim. Falo pra vcs MR, brother, friends, primo, celebridades. E vc tbém, coisa.

Eu compreendo o Mercadante. Às vezes é preciso voltar atrás.

E qto ao Dan ser ou não brasileiro, eu me referia ao Dan Stulbach mesmo. Pt.

Estou de pé.  E ainda vamos nos encontrar, tenha certeza.                                                               

                                                          



Escrito por Ofelia às 21h40
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...quem é você, meu irmão.



Escrito por Ofelia às 15h48
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Quase tudo. Assim que saiu, comprei o livro da Danuza. Atraída por tudo. Pela personalidade e as histórias da Danuza, ou seja, o texto, pelas fotos e, mais, muito mais, pelo título. Quase tudo. Gostei. Sei quem o sugeriu. O que não faz a menor diferença.

É desse título que me lembro hoje, ao juntar pedacinhos e compor um homem. Esse homem que eu sempre conheci e desconheço há muito. Muito capaz. Melhor: minto capaz. Ou capaz de muito mentir. Jogo de palavras?

O mundo vem aí. Ele dirá...   



Escrito por Ofelia às 13h12
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E mudando de assunto definitivamente (espero que meu 'definitivamente' não seja igual ao 'irrevogável' do senador Mercadante), quero dizer que vou sentir saudade da novela da Glória Perez (a única que vejo), sempre tão inventiva, tão inovadora nos temas que explora, a grande herdeira de Janete Clair. Mas não há como não dar as boas vindas para Manoel Carlos. Não há. Ele é qualquer coisa de talentoso... Admirável.

Adorei que MC tenha admirado o programa Tudo novo de novo, da Globo, que durou tão pouco. Júlia Lemmertz e Marco Ricca tinham muita química e a série tão miúda no tempo deixou gratas lembranças. Tomara que volte logo.

                                                         



Escrito por Ofelia às 21h32
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Trilogia Ofélia     

O livro Mentiras no divã - interesse especial para analistas e analisandos.

O filme Morangos Silvestres, de Bergman, sonho do professor Borg quando ele entrega seu 'livro' e lhe é perguntado qual o primeiro mandamento de um médico - interesse especial para alguns profissionais da 'medicina' (?).

O filme Pecados da Fé, tipo Supercine, para aluguel em qualquer Blockbuster - uma love story às avessas, mas que comprova que amar é nunca ter que pedir perdão. Ou será o contrário? Mostra os 'mistérios' da fé. Quando (h)a(´) fé demais.

Combinados, uma trilogia e tanto.

Nem o Gal. Newton Cruz hoje iria segurar o braço de alguém (um jornalista) e dizer 'pede desculpa, pede desculpa'. Os tempos são outros, mudaram. Estamos em 'tempos de paz'.

Puxa, ainda não vi o Dan Stulbach. Maravilhoso ator. Dá orgulho de ser brasileiro. Embora ele não seja, acho. Não de nascimento. Não sei. Ou será?       

Pra mim, tanto faz.                



Escrito por Ofelia às 20h43
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Tenho pensado: será que vai dar tempo? A curva me parece tão próxima, às vezes.

                                                     



Escrito por Ofelia às 12h30
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O segundo livro que comprei, o inesperado, comprei pelo título: Mentiras no divã. Formato pocket, da Agir. Escrito por  Irvin D. Yalom, americano nascido em Washington e filho de russos. Psiquiatra, autor de A cura de Schopenhauer, Os desafios da terapia, Quando Nietzsche chorou, entre outros.

O livro é ficção e tem narrativa bastante ágil. Curioso para quem já fez terapia. Bom, ainda estou bem no começo. E começo a ficar curiosa sobre o que virá. O autor diz tanta coisa logo no início que me pergunto se o texto não ficará chato daqui a pouco. Ideal para ler quando se espera alguma coisa, como em consultórios médicos. Não precisa pensar. É como novela. E não vai na comparação nenhum desdouro. Gosto de algumas novelas. Algumas, bem poucas pra dizer a verdade. Tomara que o livro não deixe cair.

                                                                          



Escrito por Ofelia às 12h26
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