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telhado de vidro Em algum lugar do futuro Das últimas vezes, não fiz as unhas no salão. Também não fui eu que as fiz, foi alguém que vive disso, mas não foi no salão. Hoje fui ao salão, ao mesmo de antes, confortável, com manicures de luvas, instrumentos esterilizados e embalados, café, chá, água e algo mais, talvez, não sei se tem. Acho que já vi rolar um biscoitinho, mas, como não bebo café... Procurei a manicure de sempre. Não marquei com antecedência, ela estava ocupada. Eu não queria esperar, tinha que ser naquela hora. Dei sorte, às vezes não há ninguém disponível. A atendente me disse que havia uma moça, novata, que poderia me atender, perguntou se eu queria experimentar ou aguardar mais um pouco. Eu quis experimentar. E para minha surpresa ela fez unhas admiráveis, infinitas vezes melhor do que a outra manicure, se é que é possível. Mas fez. Melhor ainda: fez muito bem e muito rápido. Quando eu já estava no caixa, pagando a conta - um pouquinho mais alta, é verdade - a moça chegou com um cartãozinho (eu havia elogiado o trabalho dela ) e me ofereceu, para que eu a procurasse de uma próxima vez. Saí do salão achando graça de mim mesma. Tal como a nova manicure, as possibilidades da vida são infinitas. Há sempre alguma coisa melhor que nos espera em algum lugar do futuro. Sempre. Bom, há também pior. Mas, hoje, graças à manicure, penso pelo lado positvo. Penso mesmo. O melhor de tudo é ser verdade. Porque isto, pensar desta forma, positivamente, é tão raro pra mim...
Escrito por Ofelia às 19h12 [ envie esta mensagem ]
Taí um filme relativamente triste, um filme de escolha evidente, mas feliz pelo que foi vivido. Torço para que a temporada seja longa. Escrito por Ofelia às 03h25 [ envie esta mensagem ]
Não, por favor, não interpretem errado, não há qualquer sugestão, a mínima idéia que seja de violência em mim ao lembrar deste filme. Muito ao contrário. Quando o vi nos anos 70, eu me deixei ficar presa à poltrona, inconformada com o destino do personagem de Jean-Louis Trintignant (tão bonito...), que sofre um atentado, desaparece, ninguém fala sobre o assunto, é como se nada tivesse acontecido, a vida volta ao normal e tudo fica como dantes no quartel de abrantes. Meu senso de justiça, embora frente a uma tela de cinema, me deixou estatelada, sei lá se esta é a palavra acertada. Mas fiquei muito mal. Gosto de filmes felizes. Ou, quando não são felizes, que tenham soluções até tristes, mas amenas. Porque num filme a gente acompanha tudo, do início ao fim. Sempre que me deparo com uma injustiça sufocante, do tipo que prega a gente na poltrona, eu me lembro deste filme. Sempre. Não sei se há cópias por aí, eu não gostaria de revê-lo. Não sei como reagiria hoje, mas não gostaria de vê-lo novamente, não mesmo. Se alguém estiver interessado em ver, garanto que vai entender bem a sensação de impotência, de desalento que toma conta de quem o assiste até o fim. Eu me sinto hoje como se tivesse acabado de ver o filme. A sensação é a mesma, acachapante. De que o poder pode tudo. Algumas coisas são duras demais. Na tela ou na vida. Não a violência física, mas a psicológica e espiritual. Desumana.
Escrito por Ofelia às 02h26 [ envie esta mensagem ] Vale a pena ler de novo Canção das mulheres Lya Luft Escrito por Ofelia às 20h47 [ envie esta mensagem ] Sustos Cada susto tem um comprimento e um valor. Voltar da Barra pela Linha Amarela e encontrar o túnel da Covanca completamente às escuras foi uma experiência totalmente inusitada. Túnel comprido, muitos carros, caminhão à direita quase sem luz, velho e lento, deixando escapulir coisas que me pareceram retalhos de pano. Estranhíssimo. Todo mundo diminuiu a marcha, até os loucos eventuais que não sabem ficar sossegados em uma única pista por muito tempo. Um pouco antes, na agência do correio, eu já havia subscritado o envelope de Sedex para o interior da Bahia quando a atendente me disse que custava R$ 36,70! Por duas folhas de papel! Foram as duas folhas de papel mais caras que já paguei. Minto. Um cópia de qualquer certidão não sai por menos de R$50,00. Que abuso. Tive vontade de voltar atrás, mas às vezes não dá, como dessa vez não deu. O envelope plástico estava subscritado, fechado e carimbado. Da próxima vez é melhor perguntar primeiro. Mas o que fazer na Linha Amarela, no meio do caminho? Quando o sinal luminoso nos avisa para acender a luz no túnel, que elas estão apagadas, estamos a poucos metros da escuridão. A vida é cheia de surpresas, caras surpresas, longas surpresas, e escuridão (quase) repentina. Apesar do vento, do frio, e da água do mar que presumi gélida, os surfistas surfavam, levavam a vida nas ondas. Deve ser bom. Escrito por Ofelia às 18h59 [ envie esta mensagem ] |
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