
telhado de vidro

Escrito por Ofelia às 16h01
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Tem gente estranhando que eu queira ver RCarlos. Com alguma razão. Não sou vidrada em ouvir as canções dele. Meu gosto musical não é exatamente esse (embora ninguém consiga deixar de gostar do Roberto). Nem vi o show dele com o Caetano! Ah, mas o Maracanã cheio cantando RCarlos deve ser inesquecível mesmo. A última vez em que estive no Maracanã para assistir a um show musical foi em 80, quando Sinatra esteve no Brasil. Outras apresentações por lá não me sensibilizaram a sair da inércia. Agora, no entanto, que vejo na TV as chamadas para o show de Roberto Carlos no dia 11 de julho, no mesmo Maracanã, fico doida para ver. Não é só pelo 'Rei', que conheci de perto em várias coletivas e realmente parece um ser muito especial. É pelo coro de milhares de vozes cantando Roberto, que está melhor que nunca, e deverá ser uma coisa linda, inesquecível. Ele merece. E nós também. O que me faz pensar em não ir? O desagrado por multidão. Parece incoerência. É como se eu desejasse cantar com ela, mas que não estivesse ao sabor dela. Agora então, com o número de casos dessa gripe odiosa aumentando a cada dia, a gente pensa duas vezes (ou três, quatro, cinco) antes de tomar parte em uma aglomeração desse porte. Estou dividida. Um lado meu quer ir, e muito. O outro me segura. Será que haverá outra chance de ver RCarlos no Maracanã? Enquanto isso, me entristece a ausência do Chico Buarque no palco. Tenho ouvido mais música esta semana do que nunca. O disco do Chico, 'ao vivo', traz toda a alegria, toda a energia do show pra dentro da minha casa. São os gritos alucinados das fãs, 'gracinha', eu te amo', essas coisas que alegram e fazem sorrir, é o Chico agradecendo 'obrigado', com aquela voz que é só sua (dele). Outro dia, em um programa de TV, fiquei revoltada com a moça nem tão moça assim que não soube identificar quem estava cantando. Era o Chico. Como alguém pode não reconhecer a voz do Chico? Mania essa de escrever livro, de livro virar filme. De passar muito tempo em Paris (dizem, e é de extremo bom gosto, sem dúvida, mas e a música?). De Budapeste, o livro, nem gostei tanto assim. Vamos ver o filme... Mas música é como injeção de glicose na veia. Uma tremenda energia, um tremendo barato. Chico é um gênio. Precisa voltar a cantar. Logo.
Escrito por Ofelia às 13h26
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Em algum lugar onde nunca estive by e. e. cummings somewhere i have never travelled, gladly beyond any experience, your eyes have their silence: in your most frail gesture are things which enclose me, or which i cannot touch because they are too near your slightest look easily will unclose me though i have closed myself as fingers, you open always petal by petal myself as Spring opens (touching skilfully,mysteriously)her first rose or if your wish be to close me, i and my life will shut very beautifully ,suddenly, as when the heart of this flower imagines the snow carefully everywhere descending; nothing which we are to perceive in this world equals the power of your intense fragility:whose texture compels me with the color of its countries, rendering death and forever with each breathing (i do not know what it is about you that closes and opens;only something in me understands the voice of your eyes is deeper than all roses) nobody,not even the rain,has such small hands // // // Em algum lugar onde nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, teus olhos têm o silêncio deles: em teu gesto mais frágil há coisas que me fecham, ou que não posso tocar porque estão perto demais
Escrito por Ofelia às 02h17
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