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telhado de vidro Achei por acaso, na Internet, o que escrevi sobre Paulo Gorgulho em 1990. Nem acreditei. Notícia sobre Paulo Gorgulho - 1990Fonte: Jornal/Revista: O Dia - Data de Publicação: 4/3/1990 - Autor/Repórter: Ofélia Crim (TV Pesquisa PUC) PAULO GORGULHO NÃO QUER MAIS DEIXAR O PANTANAL No teatro, ele já viveu muitos papéis: foi demônio, homem do mato, o homem que se casa com um pássaro e até protagonizou a morte. Mas nada parece estar encantando tanto o ator Paulo Gorgulho quanto interpretar o pantaneiro José Leôncio, seu personagem para a próxima novela da TV Manchete, Pantanal, que estréia no próximo dia 27. Gorgulho, que trabalhou em Carmem e fez uma pequena participação em Kananga do Japão, gosta da história escrita por Benedito Ruy Barbosa que faz José Leôncio vir ao Rio para cobrar uma dívida sobre a venda de 300 cabeças de gado, conhecer uma mulher, casar-se, retornar ao Pantanal e ser abandonado por ela que foge com o filho do casal. Sua paixão maior pela obra, no entanto, ele não nega, vem do lugar onde a maioria das cenas está sendo gravada: o Pantanal Mato-grossense. MEMÓRIA E EMOÇÃO - Paulo Gorgulho jamais foi ligado em fotografia, nunca teve uma máquina fotográfica. Como ele diz, sempre preferiu "registrar na memória e na emoção o que via". Mas no dia 3 de janeiro deste ano, quando chegou ao Pantanal para as gravações da novela, nunca se arrependeu tanto. Como se estivesse preparado para deslumbrá-lo e a todos da equipe, um gigantesco bando de borboletas azuis e vermelhas tomou conta da região durante quatro dias, surpreendendo até os habitantes locais. "Foi um evento da natureza", diz Gorgulho. "Eram milhões de borboletas. Essa novela vai matar a pau, ninguém vai acreditar que as imagens são reais. Vão dizer que é mentira, que a imagem foi feita por computador." Continua... 08/12/08 ...ContinuaçãoEntre o dia 3 e o dia 27 de janeiro passado, o ator nascido em São Lourenço há 30 anos, esteve longe do telefone, de jornais, televisão, luz elétrica. Ficou doido... mas para não voltar para a cidade. "O homem moderno é muito inseguro", comenta o ator. "Lá, a harmonia é tão grande que você acaba fazendo parte da natureza e a insegurança te abandona". Ele, que já andava a cavalo, aprendeu a tocar o gado, a portar o gado (transportar de um lugar para o outro, separar o gado leiteiro do gado de corte), a tocar o berrante ("O segredo está na embocadura") e acrescentou à sua linguagem alguns termos aprendidos no Pantanal. Gado bagual, por exemplo, que lá se pronuncia sem o l, vira baguá, é o nome que se dá ao gado selvagem que fica solto. E sinuelo é gado manso. LOMBO DO CAVALO - Paulo Gorgulho nada bem, só não tem muita resistência porque fuma muito. Mesmo assim, para viver bem o personagem José Leôncio, montou no lombo do cavalo e atravessou rios de grande profundidade, confiante no bicho "que nadava melhor" do que ele. Caçou cachaço, um porco do mato imenso, tentou aprender a jogar o laço. Isso não conseguiu. "A natureza não sabe que a perseguição não é para valer", recorda. "Quando o bicho foge, foge mesmo." Viu onça bem de perto. "Não era pintada, era parda, mas o meu coração quase saiu pela boca." Em compensação, pôde ver o por-do-sol que julga o mais bonito de sua vida e dois arco-íris de uma vez só depois da chuva. "Teve um dia em que a equipe toda parou e ficou horas gravando, registrando o indescritível. Era Deus se manifestando." Continua... 08/12/08 ...ContinuaçãoAté agosto, ele viajará para o Pantanal uma vez por mês. Para chegar à Fazenda Rio Negro, de 20 mil hectares que pertence a Orlando Rondon, parente distante do Marechal Rondon e ex-exímio caçador de onça da região, só usando barco ou avião. A viagem afasta o ator da namorada Vânia que ele conhece há três anos, mas Paulo Gorgulho pensa mesmo é em ter coragem para ficar no Pantanal de vez, convivendo com esses peões meio homens, meio bichos que bebem o sangue que jorra pela jugular do animal abatido, mas são capazes de dar a vida por alguém desde que acreditem que esse alguém dê a vida por eles. Se Gorgulho decidir-se mesmo pelo Pantanal, acredita que Vânia não agirá como sua esposa na novela. Para ele, a namorada não só vai para lá como vai gostar. "Eu adorei", diz Gorgulho. "Percebi que luz, telefone, jornal, televisão não fazem falta alguma. Cada lugar em que você vive tem a sua própria característica, ritmo. Desde que voltei não tenho lido jornal, não tenho visto televisão, nada. Não quero saber, não me interessa, quero viver ao máximo essa emoção. O homem moderno, com seus hábitos, angústias, neuroses, afazeres, sua pressa, não chegou lá ainda." Tem virgulação errada neste texto, tem falta de acento e caixa alta ao invés de baixa. Mas que saudade senti dessa época, do meu editor Arthur Reis. Escrito por Ofelia às 16h56 [ envie esta mensagem ] Saí ontem no fim da tarde para ir à drogaria. Comprei o medicamento e na hora de voltar pra casa dei meia volta, atraída pelo filme indiano que ganhou o Oscar de melhor filme, entre outras estatuetas merecidas. Afinal, eu pago meia. Enquanto o filme se desenrolava, eu pensava na Índia. Não que Quem quer ser um milionário? dê tempo para reflexões extras ao que se passa na tela. Foram breves inserções de pensamentos. A Índia que transformou Vera Fischer, Glória Maria e tantos outros; meu remédio indiano para o nariz, de laboratório mesmo, feito em Agra; a proliferação do call center indiano; a novela da Glória Perez e suas muitas histórias sobre castas; a bela camisa indiana branca que vi no José de Abreu... A Índia é o tema da hora. Será tudo por acaso? Não sei. Mas por que nao seria? Tanta pobreza e tanta riqueza, tanta mistura de gente, tanta cor. A Índia deve ter algo a nos ensinar. Ticrit. Deixei o cinema um pouco trêmula. Deve ter sido por causa do frio. Escrito por Ofelia às 23h27 [ envie esta mensagem ] |
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