
telhado de vidro
O que dizer e o que calar diante da Igreja Sábado no final da tarde fui à missa de sétimo dia de dona Penha, mãe de uma colega de ginário (ê palavra...). Não ia àquela igreja há mais de cinco anos, acho. E meus olhos foram atraídos de imediato para o novo chão de granito, para a pintura nova, os bancos com lugar macio para ajoelhar, forrado em vermelho. Faltou o ar condiconado, pensei. É agradável como casa, entrar numa casa limpa e bem cuidada. Mas isto nada tem a ver com fé. A fé que quebranta nosso miolo e nos emociona e quem sabe faz chorar na hora do Pai Nosso cantado. A fé está enraizada em mim. Às vezes penso que ela se perdeu, mas, qdo menos espero, ela brota de não sei onde. O padre lá na frente fala em dízimo. Fizeram até a oração pelo dizimista antes de encerrar a peleja. A igreja evangélica cria adeptos na falange católica. Nunca tinha visto um padre pedir o dízimo. Nunca. E jamais assim, com tal insistência. A igreja católica se perde. Perde padres em suas trincheiras. Perde fiéis. Perde espaço para outras igrejas com menor pompa e circunstância de seus pastores de ovelhas. Perde a confiança dos fiéis quando padres idiotizados ameçam punir com a excomunhão médicos que defendem uma vida, e protegem o agressor de uma menina. Preferem uma não-vida a uma vida até então pessimamente vivida. Sou contra o aborto. Já disse que as pessoas só abortam porque não conseguem antever a carinha do abortado, suas impressões digitais únicas. Nunca abortei, acho que jamais abortaria. Mas defendo a menina de 9 anos, tão ou mais filha da vida quanto os gêmeos que iriam nascer. Enquanto isso, um padre que não sabe o que é ter filhos e não sente compaixão, só ameaça. Não entende que ameaças já não surtem efeito. Não estamos na Inquisição. As pessoas reagem, começam a reagir e a se afastar de quem as oprime ou tenta oprimir. Depois só resta sair do pedestal e cobrar o dízimo, já que o resto se perdeu.
Escrito por Ofelia às 08h28
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