|
telhado de vidro Estou sem energia. Tá faltando luz em mim. Escrito por Ofelia às 15h31 [ envie esta mensagem ] Mineiro não pergunta em linha reta. A pergunta de um mineiro sempre faz curva. Escrito por Ofelia às 01h21 [ envie esta mensagem ] Pedra nos rins, pedra na vesícula, pancreatite aguda. É mesmo o Pró-Cardíaco ou um hospital de quinta? Eu me lembro que, aos 17 anos, tive uma cólica súbita e forte. Fui levada para uma casa de saúde que já não existe mais, Casa de Saúde São Paulo, no Méier, na Rua Wenceslau, naquele tempo em que não se falava em plano de saúde, tudo era pago. Recebi Baralgin com glicose na veia, os médicos vieram me examinar, assim mesmo, no plural, médicos, cada um dizia uma coisa, até que chegou o mais conhecido deles, famoso no bairro. Ele me examinou, escreveu uma receita. Eu fiz vômitos, ele garranchou outra receita. Na quarta receita ele já dizia que eu tinha embaraço gástrico. Refeita da cólica por conta do Baralgin, fui pra casa. Lá chegando, meu pai me perguntou: "Minha filha, qual dessas receitas eu mando aviar? E eu, sem nenhuma confiança nos médicos que haviam me atendido e com confiança plena no dr. Abel, respondi pro meu pai: "Nenhuma delas, pai, chama o dr. Abel". Coitado do meu pai, já havia pago as despesas no hospital, agora ia chamar o dr. Abel, que morava no Leme e tinha consultório no Centro da cidade. Mas chamou, atendeu ao meu pedido. Dr. Abel chegou, sua figura me inspirava tranqüilidade. Ele me examinou e disse: "Minha filha, se fosse do lado esquerdo, eu diria com certeza absoluta que era o rim. Mas, do lado direito, pode ser vesícula (toda a família por parte de pai tinha problemas na vesícula)". Pediu exames de urina e de sangue. Era uma sexta-feira, no fim de semana ele ia pro sítio. Deixou a receita pronta, uma só, disse que ligaria do sítio no dia seguinte. Ligou cedo, minha mãe leu o resultado pra ele. E o Dr. Abel falou pra minha mãe: "Pode aviar a receita. É rim". De outra feita, estávamos todos em São Paulo. Meu irmão começou a ter uma cólica renal. Estava desesperado. Minha madrinha, enfermeira do Hospital das Clínicas e na casa de quem estávamos hospedados, encaminhou meu irmão para o hospital. Ele tomou Baralgin na veia, mas a dor não passava. E ele não urinava. Meu irmão ligou de São Paulo pro dr. Abel, que recomendou botar meu irmão no soro glicosado direto. Os médicos do Hospital das Clínicas riram. Meu pai foi a uma clínica particular, pagou pro meu irmão tomar o soro. Pouco depois que o soro começou a descer, meu irmão pediu pra urinar. Urinou sem parar. E ficou bom. Não quis mais saber de Sampa, pegou um avião e veio pro Rio, direto pro consultório do dr. Abel. Eu voltei de carro pro Rio com meu pai e minha mãe. Mas as habilidades do dr. Abel não ficaram por aí. Quando eu e meu ex-marido sofremos um acidente de carro - e ele cortou a cabeça, que não parava de sangrar - fomos levados no carro de um casal para o Hospital do Andaraí (grandes figuras, acompanhadas do filho pequeno). Lá, a cabeça do meu marido na época foi costurada de tal forma que logo depois ele teve que ser reoperado pelo Dr. Tourinho, na Clínica Sorocaba. Ele estava livre do problema? Não estava. Dr. Abel veio a nossa casa me ver. Examinou o corte na minha cabeça, o trauma no joelho (amassei o painel com o joelho direito), pediu ao meu pai para comprar a vacina contra tétano e, antes de aplicá-la, pingou uma gota no meu olho para saber se eu não teria reação. Esperou 15 minutos, o olho não avermelhou, ele aplicou a vacina sem problemas. O meu marido? Estava no quarto, deitado, não apareceu na sala. Recado do Dr. Abel pra ele: "Fala pro seu marido ter cuidado, esse tipo de lesão costuma dar aneurisma". Estávamos em 1973. Em 1986 meu ex-marido teve o aneurisma, exatamente no local do corte de 1973. Foi operado e por pouco não morreu. Dr. Abel era um MÉDICO. Imagina se ele não daria o diagnóstico correto para Glória Maria... Dois grandes médicos que conheci, dr. Abel e dr. de Lamare. O segundo salvou o meu filho. Aliás, há espaço para um terceiro, grande médico, grande pessoa, que muito me ajudou e ajudou ao meu irmão. Devemos muito a ele. Mas está vivo e não quero fazer propaganda de ninguém. Escrito por Ofelia às 22h24 [ envie esta mensagem ] |
||
![]() | ||