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telhado de vidro O segundo tombo O primeiro foi sexta-feira passada, no corredor do meu andar. Eu caminhava com a mesma sandália tiquetique de hoje quando escorreguei no piso úmido. Ia com pressa, encontrar com meu filho no dentista. Meus braços de pás de helicóptero imediatamente entraram em ação desgovernados, na horizontal, tentando aterissar da melhor forma. Caí com o joelho esquerdo no chão e tombei de lado. Há tanto tempo eu não levava um tombo que já nem me lembrava como era. O joelho doeu, tive receio de me levantar sozinha, apesar de não me sentir sem condições pra isso. Chamei o zelador, que estava no andar abaixo do meu. Ele veio e me ajudou a entrar no elevador. Afinal, eu já estava na porta mesmo. O segundo tombo foi hoje, no Carrefour. Lá ia eu com a sandália tiquetique, compras na mão, sem carrinho, quando derrapei e caí de coxa e bunda esquerda. Até que pra quem tem a bunda magra foi bem macia a queda. A polpa da coxa segurou as pontas. Nem doeu. Caiu tudo da minha mão. Iogurte prum lado, pão pro outro, cair é fascinante. Pois só quem cai pode levantar, não é mesmo? Cinco mulheres me rodearam. "Machucou"? - disse uma, a outra veio logo dizendo que foi assim que quebrou a clavícula. As outras recolheram as compras. Mulher, esse bicho esquisito que todo mês sangra, como canta Rita Lee, é um ser à parte, tem sempre uma história pra contar. É por isso que gosto tanto de ser mulher. Mulheres são solidárias, são únicas. Até passei a achar que apesar do emagrecimento não estou condenada. Quem é capaz de cair duas vezes assim é porque ainda está inteira, com ossos firmes, que nem reclamaram. Voltei pra casa feliz. Se a velha senhora está querendo intimidade, vai custar a conseguir. E se chegar perto, pode levar, mas vou de cara feia, tal como minha tia Ruth foi. Nada desse negócio de rosto sereno. Vou reclamar, fazer auê. Que viver é bom, muito bom mesmo.
Escrito por Ofelia às 18h24 [ envie esta mensagem ]
Escrito por Ofelia às 20h25 [ envie esta mensagem ] Então, de repente, ao chegar em casa, após mais uma sessão de clareamento mental, senti necessidade de reler velhos papéis. Encontrei poucos, os outros tomaram chá de sumiço. Depois de ler alguns, respondi uma msg no orkut e disse à minha amiga que só não havia ficado diabética pq palavras enjoam, até enlouquecem, mas não agridem o pâncreas. Tudo muito chato. Olha, deu pra entender tudo, mas precisei reler o que escrevi. Rito de passagem, 'ninguém' - sou Ofélia, A vida é bela. Até mesmo o 'obrigado' da folhinha seicho-no-iê. Que trabalheira, hein? Entendi, enfim, o abraço de torniquete e o sinal de liberdade ao voo de um amigo velho, assim que entramos na sorveteria. Passarinhos não voam à noite, já dizia meu pai, sabiamente. Afinal, eu enfim consegui almoçar (jantar) em Ipanema num dia péssimo para o Rio, o da queda do helicóptero. E tive que fazer mil e uma voltas pra chegar, as ruas estavam tomadas de policiais e carros de polícia. Muitas não davam passagem. Quase desisti justamente ao chegar do outro lado do túnel, na Lagoa. Estava estressada, ia conhecer alguém da nova família do meu filho. Fui, mas cheguei agitada, bem agitada. Era sábado, dia 17. Mais um dia e seria dia 18, dia do médico e de São Lucas, quando o blackbird morreu (faz tempo). Parece tudo mentira, tudo de mentirinha. Mas aconteceu e é verdade. Preciso do teatro, da imagem? Pois é, precisei. Hoje, na sessão de clareamento mental, lembrei de coisas que me machucaram demais há tempos. Sim, dores não deglutidas, não assimiladas, que me trouxeram outras, já em casa. Ah, mas isso é motivo para outra conversa... Al., gostei muito da história da sua segunda namorada. Bate direitinho com uma outra que eu conheço. Enfim, o que eu ia dizer não vou dizer mais. Não aqui. Meu caro An., seu bocejo foi muito esperto. Foi muito esperto tudo.
Escrito por Ofelia às 00h28 [ envie esta mensagem ] Não deixa de ser engraçado que eu não esteja vendo - pela primeira vez! - uma novela do Manoel Carlos, com o sugestivo nome de Viver a vida. Assisti a alguns capítulos na primeira semana e fim. Vontade zero. Por que será? Mistério...
Escrito por Ofelia às 16h20 [ envie esta mensagem ] Que coisa... Escrito por Ofelia às 01h03 [ envie esta mensagem ]
Mesmo tendo passado uma noite quase em claro, sentindo mal, é possível perceber um falso pastor a quilômetros. Não que um verdadeiro pastor seja muito diferente sempre. Mas nenhum pastor, com uma mínima alfabetização bíblica, diz que Obama é o anticristo que salvará o mundo. Pode até dizer que ele é o anticristo, mas jamais que salvará o mundo. O anticristo não salva. Depois dele, só o final dos tempos. É o que diz a bíblia. Pastor que afirma ter se curado de um câncer de pulmão, que foi fumante por 17 anos, que a doença vitimou o próprio pai, embora ele tenha durado 13 anos doente, que tooooosse muito e depois não tosse nada, e que dias antes não tossiu uma vez sequer, só pode imaginar que está lidando com uma débil mental. Não está/estava. Não, eu não me lembro do crucifixo de madeira grossa (lembro de um), não entendi essa. Mas a voz, a voz eu posso jurar que já ouvi em outro lugar. E ah: despachante do governo? Conta outra... E olha que eu saí de casa tão mal que botei uma sandália antiga sem perceber que o salto do lado esquerdo tinha um defeito. Mas, idiota ainda não. Pode esquecer. Nosso 'encontro' pode não ter sido por acaso, mas não foi determinado por Deus. É coisa da vida comum, da vida dos homens. Escrito por Ofelia às 00h51 [ envie esta mensagem ]
No te rindasMario Benedetti No te rindas, aún estás a tiempo de alcanzar y comenzar de nuevo, Aceptar tus sombras, enterrar tus miedos, liberar el lastre, retomar el vuelo. No te rindas que la vida es eso, continuar el viaje, perseguir tus sueños, destrabar el tiempo, correr los escombros y destapar el cielo. No te rindas, por favor no cedas, Aunque el frío queme, aunque el miedo muerda, aunque el sol se esconda, y se calle el viento, aún hay fuego en tu alma aún hay vida en tus sueños. Porque la vida es tuya y tuyo también el deseo porque lo has querido y porque te quiero. Porque existe el vino y el amor, es cierto. Porque no hay heridas que no cure el tiempo. Abrir las puertas, quitar los cerrojos, abandonar las murallas que te protegieron. Vivir la vida y aceptar el reto, recuperar la risa, ensayar el canto, bajar la guardia y extender las manos, desplegar las alas e intentar de nuevo, celebrar la vida y retomar los cielos. No te rindas, por favor no cedas, Aunque el frío queme, aunque el miedo muerda, aunque el sol se ponga y se calle el viento, aún hay fuego en tu alma, aún hay vida en tus sueños Porque cada día es un comienzo nuevo. Porque ésta es la hora y el mejor momento. Porque no estás solo. Porque yo te quiero. (Magaly, obrigada) Escrito por Ofelia às 17h18 [ envie esta mensagem ] "Nada como um dia depois do outro"... MF Escrito por Ofelia às 01h00 [ envie esta mensagem ] Eu disse que não veria Viver a vida, do Manoel Carlos. Vi (eu já esperava por isso, vamos combinar). A música de abertura não ouvia há anos: 'Sei lá... A vida tem sempre razão'. Discutir com Vinicius e Toquinho? Com Tom Jobim, Chico e Miúcha? Não dá.
Escrito por Ofelia às 00h28 [ envie esta mensagem ] Adoro escrever a lápis. E em papel sem pauta. Maravilhoso. Escrito por Ofelia às 01h02 [ envie esta mensagem ] Sobrenatural. Foi no Sobrenatural (que nome!), de Santa Teresa, que almoçamos hoje, meu filho, minha nora e eu, lá pelas 3 e tal da tarde. Acabamos com uma cesta de pastéis de camarão. E logo com o bobó de camarões consistentes, grandes, redondos, de fazer gosto. Delicioso tudo. Muito turista em volta. Visitamos depois algumas daquelas lojinhas simpáticas e tão coloridas quanto a Índia de Caminho das Índias. Ganhei im ímã minúsculo e fofo da minha norinha. Meu filho pescou, entre tantos outros, um ímã sob medida pra mim: "Hipocondria é a única doença que eu não tenho". Achei muita graça e comprei. Lamentei não ter levado a máquina para registrar o rebuliço no bonde amarelo, com muitas mulheres em pé no estribo, os 'gringos' doidos para fotografar, o motorneiro avisando que ia manobrar e a legião sem pressa, querendo registrar o bonde, o momento. E tome foto! Tudo tão simples e ao mesmo tempo tão mágico, tão bom... Teve sorvete depois, mas já não era Santa Teresa. O sol? Sob medida. Afinal, era um sol de SETEMBRO. Escrito por Ofelia às 00h18 [ envie esta mensagem ] "Caminhante, o caminho se aprende ao caminhar!" Escrito por Ofelia às 20h32 [ envie esta mensagem ] Saindo pra vida cá fora. Escrito por Ofelia às 03h33 [ envie esta mensagem ] Mentiras no divã, o livro que ainda não acabei de ler, teve um pequeno momento de queda. Mas recuperou-se logo. Vontade de fazer como meu pai às vezes fazia com o jornal: lia de trás pra frente. Já tive vontade de ir lá na última página. Não fui porque perderia a vontade de ler, livro não é jornal. Estou bastante curiosa com o que acontecerá. O autor é engenhoso e essa curiosidade pelo final me parece bobagem. Talvez eu descubra que o melhor do livro esteja no durante, nos questionamentos dos psis e dos seus pacientes. O que pensam enquanto, como se comportam. O livro se realiza nisso, ao mostrar como funciona a cabeça de analisandos e analisados. Foi o que motivou o post anterior. E PS: não tem metáfora, recomendo mesmo. Escrito por Ofelia às 01h12 [ envie esta mensagem ] Diagnóstico - a grande especialidade do médico. Interpretação - a maior qualidade do psi. Frustração - quando um e outro não têm uma coisa nem outra.
Escrito por Ofelia às 00h57 [ envie esta mensagem ] |
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