
telhado de vidro
Deus andou cochilando muito tempo. Mas de ontem pra hoje me deu a mão para eu me levantar tal qual o doutor faz comigo quando estou deitada para fazer um exame. Deus, hoje me achei mais bonita ao me olhar no espelho. Ontem passei um bom tempo na Saraiva lendo, enchi a mesinha de livros e escolhi três. Na pequena fila para o pagamento, vi um álbum triplo do Louis Armstrong com a Ella Fitzgerald. Comprei tudo. Livraria é um perigo e eles fazem de propósito quando botam os CDs ao alcance da mão. Mas ontem eu ainda não era eu hoje. Hoje eu amanheci com minha faxineira ao telefone. Ela agora tem telefone, está feliz feito criança. E me liga todo dia, tão alegre. Pergunta se almocei, fala da vida, toda alegre. Minha faxineira, eu já disse pra ela várias vezes, tem um vocabulário inacreditável para quem sabe ler muito bem, mas não estudou essas coisas. Gosto quando ela, por qualquer coisa, ao cair um objeto, por exemplo, diz satisfeita, nunca aborrecida: "Opa!" Gosto desse opa, gosto dela. E devo admitir, Deus, estou feliz esta manhã como há muito tempo não estava. Ao ligar o computador, encontro uma msg da minha cunhada das mais lindas. Na verdade eram cinco msgs, mas, pelo título, li logo esta. Cunhada iluminada a minha (eu disse a ela) entre tantos iluminados que a vida traz a mim. Dá um abraço? =============
TrovadorPR
De repente, deu vontade de um abraço... Uma vontade de entrelaço, de proximidade ... de amizade, sei lá ! Talvez um aconchego amigo e meigo, que enfatize a vida e amenize as dores ... que fale sobre os amores, seja afetuoso e ao mesmo tempo forte ... Deu vontade de poder ter saudade de um abraço. Um abraço que eternize o tempo e preencha todo o espaço.
Mas que faça lembrar do carinho, que surge devagarinho, na magia da união dos corpos, das auras, sei lá! Lembrar do calor das mãos, acariciando as costas, a dizerem: - Estou aqui ! Lembrar do enlaçar dos braços, envolventes e seguros, afirmando: - Estou com você ! Lembrar da transfusão de força, ou até da suavidade do momento, sei lá. Então, pensei em como chamar esse abraço: abraço poesia, abraço força, abraço união, abraço suavidade, abraço consolo e compreensão, abraço segurança e justiça, abraço verdade, abraço cumplicidade?
Mas o que importa é a magia desse abraço, a fusão de energias que harmoniza, integra o todo e se traduz no cosmos, no tempo e no espaço... Só sei que, agora, deu vontade desse abraço: Um abraço que desate os nós, transformando-os em envolventes laços ... Que sirva de "colo", afastando toda e qualquer angústia... Que desperte a lágrima de alegria e acalme o coração... Um abraço que traduza a amizade, o amor e a emoção. E para um abraço assim, só consegui pensar em você. Nessa sua energia, nessa sua sensibilidade, que sabe entender o porque dessa minha vontade.
Pois então: - Dá logo esse abraço !!! Fiquei muito emocionada, cunhada iluminada. Muito feliz. Estou, sou feliz.
Escrito por Ofelia às 14h38
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Do blog Prosa online na FLIP, sobre esse grande e talentoso cara que se chama Domingos de Oliveira. Assisti ao seu (dele) filme Separações. Mais humano, no que há nele de fragilidade e incerteza, impossível. DOMINGOS: Há pessoas que sofrem com a separação. Para outras, mais raras, ela é um alívio.
Tive cinco casamentos e cinco separações e não tenho nada a dizer sobre o assunto. Há algumas coisas que quanto mais se vive, mais se conhece, mais se pensa, mais obscuras ficam.
Minha primeira separação foi muito sofrida. Foi nessa época que conheci a psicanálise e, logo depois, o álcool.
Minha segunda separação foi muito sofrida. Eu tinha três namoradas e brochava com todas elas.
Não conheço um casal decente que não tenha um sólido desejo de separação.
Continuo querendo me separar da Priscila e ela de mim, porque somos pessoas normais e nos amamos muito.
A verdadeira arte de viver talvez seja tentar ser o que você é, o que naturalmente é muito difícil.
RODRIGO (Lacerda, escritor): 99% da nossa vida passamos fazendo coisas banais. Indo ao banco, ao médico, no trânsito. Temos que extrair um significado mais profundo e ressignificar esses momentos. Se não soubermos revalorizá-los, não tem escapa, e a vida se torna insuportável.
DOMINGOS: Não existe banalidade no mundo. Ela é apenas aparente. A vida de todo mundo é um turbilhão que escondemos para cumprir nossos papéis sociais.
Abaixo, o texto do final de "Separações", de Domingos de Oliveira, lido por Rodrigo Lacerda em homenagem ao cineasta.
O Homem Lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela Assim como ele nunca tem memórias O Homem Lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um Mal O Homem Lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo Pode também o Homem Lúcido optar pela vida Aí então ... Ele esgotará todas as suas possibilidades Ele passeará pelo seu campo aberto pelas suas vielas floridas Ele saberá ver a beleza em tudo! Ele terá amantes, amigos, ideais urdirá planos e os realizará Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças E se atingido por um desses emissários saberá suportá-lo com coragem e com mansidão E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais e em idade avançada cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido uma aura de bondade Dir-se-á: "Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!" A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis O Homem Lúcido porém esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses tem o poder magno de alterar essa lei Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria... Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos
Escrito por Ofelia às 19h08
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PARA MARIA DA GRAÇA Paulo Mendes Campos
"Agora, que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: "Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?"
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. "Quem sou eu no mundo?" Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: "Estou tão cansada de estar aqui sozinha!" O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta".
Escrito por Ofelia às 03h27
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Escrito por Ofelia às 16h01
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Tem gente estranhando que eu queira ver RCarlos. Com alguma razão. Não sou vidrada em ouvir as canções dele. Meu gosto musical não é exatamente esse (embora ninguém consiga deixar de gostar do Roberto). Nem vi o show dele com o Caetano! Ah, mas o Maracanã cheio cantando RCarlos deve ser inesquecível mesmo. A última vez em que estive no Maracanã para assistir a um show musical foi em 80, quando Sinatra esteve no Brasil. Outras apresentações por lá não me sensibilizaram a sair da inércia. Agora, no entanto, que vejo na TV as chamadas para o show de Roberto Carlos no dia 11 de julho, no mesmo Maracanã, fico doida para ver. Não é só pelo 'Rei', que conheci de perto em várias coletivas e realmente parece um ser muito especial. É pelo coro de milhares de vozes cantando Roberto, que está melhor que nunca, e deverá ser uma coisa linda, inesquecível. Ele merece. E nós também. O que me faz pensar em não ir? O desagrado por multidão. Parece incoerência. É como se eu desejasse cantar com ela, mas que não estivesse ao sabor dela. Agora então, com o número de casos dessa gripe odiosa aumentando a cada dia, a gente pensa duas vezes (ou três, quatro, cinco) antes de tomar parte em uma aglomeração desse porte. Estou dividida. Um lado meu quer ir, e muito. O outro me segura. Será que haverá outra chance de ver RCarlos no Maracanã? Enquanto isso, me entristece a ausência do Chico Buarque no palco. Tenho ouvido mais música esta semana do que nunca. O disco do Chico, 'ao vivo', traz toda a alegria, toda a energia do show pra dentro da minha casa. São os gritos alucinados das fãs, 'gracinha', eu te amo', essas coisas que alegram e fazem sorrir, é o Chico agradecendo 'obrigado', com aquela voz que é só sua (dele). Outro dia, em um programa de TV, fiquei revoltada com a moça nem tão moça assim que não soube identificar quem estava cantando. Era o Chico. Como alguém pode não reconhecer a voz do Chico? Mania essa de escrever livro, de livro virar filme. De passar muito tempo em Paris (dizem, e é de extremo bom gosto, sem dúvida, mas e a música?). De Budapeste, o livro, nem gostei tanto assim. Vamos ver o filme... Mas música é como injeção de glicose na veia. Uma tremenda energia, um tremendo barato. Chico é um gênio. Precisa voltar a cantar. Logo.
Escrito por Ofelia às 13h26
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Em algum lugar onde nunca estive by e. e. cummings somewhere i have never travelled, gladly beyond any experience, your eyes have their silence: in your most frail gesture are things which enclose me, or which i cannot touch because they are too near your slightest look easily will unclose me though i have closed myself as fingers, you open always petal by petal myself as Spring opens (touching skilfully,mysteriously)her first rose or if your wish be to close me, i and my life will shut very beautifully ,suddenly, as when the heart of this flower imagines the snow carefully everywhere descending; nothing which we are to perceive in this world equals the power of your intense fragility:whose texture compels me with the color of its countries, rendering death and forever with each breathing (i do not know what it is about you that closes and opens;only something in me understands the voice of your eyes is deeper than all roses) nobody,not even the rain,has such small hands // // // Em algum lugar onde nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, teus olhos têm o silêncio deles: em teu gesto mais frágil há coisas que me fecham, ou que não posso tocar porque estão perto demais
Escrito por Ofelia às 02h17
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Minha OMS pessoal aumentou o alerta de 5 pra 6.
Escrito por Ofelia às 20h50
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De onde vens? (para cantar a duas vozes, como Edu Lobo e Nara Leão) (1a voz) Ah, quanta dor vejo em teus olhos Tanto pranto em teu sorriso Tão vazias as tuas mãos De onde vens assim cansada De que dor, de qual distância De que terras, de que mar (2a voz) Só quem partiu pode voltar E eu voltei prá te contar Dos caminhos onde andei Fiz do riso amargo pranto No olhar sempre teus olhos No peito aberto uma canção Se eu pudesse de repente te mostrar meu coração Saberias num momento quanta dor há dentro dele Dor de amor quando não passa É porque o amor valeu
Escrito por Ofelia às 08h43
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"Todas as coisas são difíceis; o homem não as pode explicar com palavras." "Melhor é ver o que se deseja do que desejar o que se ignora." Eclesiastes
Escrito por Ofelia às 18h05
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Escrito por Ofelia às 17h54
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"Todas as coisas têm seu tempo e sua oportunidade, e é muita a aflição do homem." Eclesiastes
Escrito por Ofelia às 16h57
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O tempo que vem é o mesmo que vai. Se o tempo não vem é porque ele já foi.
Escrito por Ofelia às 16h54
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O tempo só vai, nunca vem. Fiquei pasma qdo soube que Johnny Alf fez 80 anos. Como ele poderia ter a mesma idade do Chico e Caetano. Como? Não poderia, não pode. 'Olha, somente um dia Longe dos teus olhos Trouxe a saudade do amor tão perto E o mundo inteiro fez-se tão tristonho
Mas embora agora eu te tenha perto Eu acho graça do meu pensamento A conduzir o nosso amor discreto Sim, amor discreto pra uma só pessoa Pois nem de leve sabes que eu te quero E me apraz essa ilusão à toa' Lindo, Johnny Alf, simplesmente lindo. Era lindo, foi lindo, continua lindo.
Escrito por Ofelia às 00h39
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O SPY é um ser desprezível. E está profundamente ligado à sua vítima. Acorda, Alice! O bom disso tudo é perceber que não há raiva, nada, nadinha, nenhum sentimento pelo SPY. Tá feliz assim, baby? Continue. A casa não é sua, mas já que vc invadiu...
Escrito por Ofelia às 18h36
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Zé Rodrix morreu. Nem velho estava ainda. Essas coisas acontecem sempre. Lembro de sua vivacidade, das músicas que cantei, da que usei em um trabalho na faculdade. Que ele tenha encontrado sua casa no tamanho ideal, no tamanho da Paz.
Escrito por Ofelia às 12h06
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